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Educar para Empreender: os desafios contemporâneos

Um dos grandes mitos do empreendedorismo é pensar que o empreendedor nasce pronto, ou por que veio de uma família empreendedora, o individuo tem mais probabilidade de se tornar empreendedor.

Para que então serviriam as escolas para os filhos nascidos de professores, se estes já saberiam ler e escrever? Ou, os filhos de médicos, não precisariam entrar na escola de medicina. Empreender é método. Método é conhecimento, processo, habilidades, ambiente favorável ou desfavorável; é ação, resultado e desenvolvimento de competências.

Diante disto rompe-se um paradigma de que aqueles que empreendem possuem um dom, na verdade possuem competências, habilidades e atitudes que os possibilitam a aplicação de seus conhecimentos, o desenvolvimento de redes de relacionamentos, a geração oportunidades, com uma visão de futuro, comprometimento; e, na busca incansável de realizar sonhos, traçar objetivos e alcançar metas.

Acrescenta-se a estas qualificações uma paixão, muitas vezes cega, perante aquilo que estão almejando, entregando-se a concretização, ao realizar, construir, empreender.

Seja por necessidade ou por um movimento inspirador, empreender sempre foi para alguns um motivo de satisfação, ou mesmo um movimento de libertação. Digo isto, por que muitas vezes educadores me questionam: mas por que ou para que meu estudante deve empreender? E, todas as vezes me pergunto: mas por que ou para que, ou ainda, para quem o estudante deve empregar-se?

Compreendam um certo romantismo, mas empreender não é empregar-se? Seja para um propósito, que sozinho não paga o pão na padaria; seja para gerar valor, novos empregos movimentar a economia, criar inovações, ou mesmo melhorar o que já existe. Empreender requer empregar esforços para a concretização de algo, para si, para alguém, mesmo que a máquina e sua inteligência artificial seja a operadora das ações.

Dito isto, cabe pensar no educar. Que difícil tarefa cotidiana de pensar que formar para uma profissão é aplicar os mesmos modelos que foram aplicados quando eu estava lá, sentado contando os semestres e anos para receber o canudo.

Educar para empreender precisar ser diferente, não serão somente aulas expositivas, videos inspiradores, ex-alunos de sucesso falando nas semanas acadêmicas, ou visitas a empresas que farão com que o estudante se transforme em empreendedor. Isto seria mais ou menos, querer ensinar alguém a nadar sem colocá-lo na piscina.

Colar na piscina é fazer com que o estudante possa experimentar, colocar a prova, testar, validar, construir, colaborar, dividir, multiplicar e falhar. Mas se empreender é método, educar também é método. Então, se juntamos os dois métodos é possível criar uma educação empreendedora eficaz que contemple a experimentação do mercado e sociedade.

Estamos descobrindo um jeito novo de educar, seja pelas metodologias hibridas, os movimentos makers, as inversões, a imersões, aprendizado por problemas e soluções e tantas outras formas; mas muitas vezes não descobrimos um jeito novo de empreender.

Estamos descobrindo nas práticas que desenvolvemos no iLAB – Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina, na Grande Florianópolis (SC), que educar para empreender é não atrapalhar o estudante na busca dos seus sonhos. É estar próximo para guiá-lo a caminhos que ninguém; e, nem ele mesmo sabe onde irá chegar. É retirar pedras e colocar outras no caminho, para que se sinta desafiado a buscar soluções e resultados. É apresentar possibilidades, seja de conteúdos que possam gerar novos conhecimentos, ferramentas que possam potencializar suas habilidades e desenhar cenários, criar ambientes favoráveis para o compartilhamento, a aplicação e a geração de relacionamentos; possibilitar mentorias com aqueles que já passaram pelas dificuldades, por outros que entendem mais de um determinado tema específico, ou simplesmente dizer #acreditaquevai, porque uma das grandes necessidade da educação, do empreendedorismo e de uma educação empreendedora é de acreditar que é possível.

Se uma educação empreendedora está a serviço do desenvolvimento de competências para inovar e empreender, tanto na perspectiva comportamental, quanto técnica, para que o estudante possa acreditar em si mesmo; e, empregar-se a empreender, mesmo com as dificuldades do mundo contemporâneo, cabe ao educador empregar-se na condição de mentor, no acompanhamento extra-curricular, no desencubar, prototipando possibilidades; indo para ação, na busca de fomentar agentes transformadores de realidades, um tema tão necessário para os dias de hoje.

Por fim, educar para empreender, vai além somente do saber conhecer, saber fazer, saber ser, saber relacionar-se; é, necessário saber empreender, saber inovar; e, aplicar. Possibilitado por meio de métodos, ferramentas e ações; um mergulho, uma imersão, um empregar-se empreendedor; e, você no papel de educador é quase como um pai que ensina o filho a atravessar a rua: fica de longe, olha para ver se aprendeu o método, verificando se o filho olhou para os dois lados da rua. Ele olha para você; você diz: vai. Então, parece que ele respira fundo, toma coragem e emprega-se na travessia; e, quando chega do outro lado; te olha novamente, dá um sorriso, que esta te dizendo: obrigado, eu consegui. Com certeza, repetirá tantas e tantas vezes a travessia, utilizará o método e lembrará de você.

 

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